Que nunca nos falte o afeto e a palavra escrita
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Fiquei tanto tempo na escola que nunca me perguntei quanto tempo demora para uma pessoa ser alfabetizada. E se for um adulto? Dizem que demora mais. Dia desses, ouvi uma conversa informal num café que dizia que, nos dias de hoje, uma mulher adulta que ainda seja analfabeta, e que, portanto, não precisou desenvolver os recursos da escrita e da leitura até esta altura da vida, provavelmente, é cigana. Segundo a conversa, essa conclusão se apoiava na percepção de que os ciganos geralmente não sabem ler nem escrever.
Essa narrativa me sugeriu uma imagem tão alarmante que precisei checar a informação, apesar de ter encontrado menos dados recentes dentro deste recorte do que eu esperava, e ter descoberto que a não alfabetização em Portugal está majoritariamente concentrada nas regiões mais pobres do país e entre idosos (considerando que, antes do 25 de Abril, as taxas de não alfabetização do país estavam entre as altas baixas da Europa, em cerca de 25,6%, segundo o senso de 1970).
Nos dias atuais, a população cigana está estatisticamente enquadrada como de menor escolaridade, se comparada com a média nacional: segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2024, 91,9% da população cigana não ultrapassa o 3º ano do ensino básico, e estudos anteriores indicam taxas de não alfabetização de 27,1%. Em contrapartida, a taxa absoluta nacional esteve em 3,08% (Senso de 2021), sem considerar recortes étnicos.
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