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A crise da habitação também abandona animais

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22.10.2026

A habitação é um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa. Parece uma evidência, mas num país onde trabalhar deixou de garantir um teto, pelos vistos é preciso continuar a gritar o básico.

Uma casa não é apenas um conjunto de paredes. É onde construímos identidade e intimidade, criamos filhos humanos e não humanos, cuidamos da nossa tribo, envelhecemos. É, sem fugir ao lugar-comum, o nosso porto de abrigo. Perder uma casa é, muitas vezes, começar a perder tudo o resto.

A crise da habitação que atravessa Portugal e tantas cidades europeias tem consequências que dificilmente cabem nas estatísticas. Falamos de rendas, preços por metro quadrado, taxas de juro. Menos das pessoas que desaparecem dos bairros onde sempre viveram, das famílias separadas ou daqueles que, incapazes de pagar uma renda, deixam a cidade, o país e uma parte da sua identidade.

E quase nunca falamos dos animais que vivem connosco.

Na SOS Animal recebemos, todos os dias, pedidos desesperados. Há quem tenha de sair porque o contrato terminou e não encontra outra casa que consiga pagar. Há quem já não consiga suportar as despesas básicas. Há quem seja obrigado a emigrar e não tenha condições para levar os animais. Pedem-nos que os acolhamos. Na maioria das vezes, não temos capacidade para responder.

Conhecemos também pessoas que se recusam a separar-se deles, mesmo quando isso significa dormir num carro, numa carrinha ou, na melhor das hipóteses, numa autocaravana. Outras ficam na rua, com os poucos pertences que lhes restam e um cão ao lado, procurando abrigo em entradas de prédios, de onde são tantas vezes afastadas. Vemos o incómodo que causam. Raramente perguntamos o que lhes........

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