menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Romeo Castellucci vai aos teatros para pensar o amor

22 0
26.05.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Sempre é preciso falar sobre o amor. Percebê-lo. E, então, superá-lo no que o torna tão profundo, insistente e, cada vez mais, diferente de como o aprendemos a idealizar. Quando crianças, o amor é um sentimento a ser encontrado. Mais tarde, deseja-o. Jovem, assusta. Adultos, bom as coisas são sempre mais complicadas quando envelhecemos.

Se ainda podemos reconhecer traços do ideal romântico, algo mudou. Os afetos tornaram-se, primeiro, formas de negociação, depois, mercadorias em si, distorcidos por uma intimidade que disputa as atenções, como se a exposição e ser observado fossem suficientes para afirmar alguma relação. O amor passou a existir como gestão do mercado da nossa subjetividade afetiva.

Nada pode ser mais melancólico do que isso. Ao perdermos o ideal e o platônico da ingenuidade inicial, acabamos por aceitar, sem perceber, o amor como ruína, a perda de aspectos que lhe fundamentam, tais como a sobreposição entre temporalidades, a profundidade dos sonhos, a reorientação dos sentidos.

Para além dos limites romantizados pelas narrativas triviais, o amor implica uma experiência que só se afirma pelo vínculo e por como a história, em sua dimensão mais ampla e imperceptível, importa no instante em que é partilhada. Um momento de cada vez, exige o amor.

Talvez o amor não seja outra coisa senão uma experiência de verdade sobre nós, que se desvela a partir de alguém. E aceitá-lo como um hábito afetivo, uma ruína habitada, é qualquer coisa, menos o amor em si.

Quer receber notícias do PÚBLICO Brasil pelo WhatsApp? Clique aqui.

Na história da arte, o amor é um dos temas centrais, explorado pelos mais diversos movimentos artísticos com maior ou menor romantismo. No teatro, diz-se, é um dos principais. Mas não sozinho. Divide o protagonismo com a morte. E, quando nos aproximamos das óperas, amor e morte se confundem ainda mais.

Pode-se compreender essa relação como sendo própria da tragédia: o amor que não se configura, o amor proibido, a amada que morre, o amado que mata, o suicídio desiludido e tantas outras variações.

Contudo, do que se fala quando se fala sobre o........

© PÚBLICO