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A insurgência ganha contorno de ópera

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20.02.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Um rei idiota e tirânico sentado em um trono dourado durante a destruição do mundo. Na verdade, em um vaso sanitário. Observado por dois vampiros, Vampi e Bambi, alter-egos dos criadores. Vestido apenas com uma cueca branca, o rei será confrontado pelo monstro Gorgonzilla (já que Godizila não foi liberado para uso), e o naufrágio, ao final, diante de um rei inflável imenso e desproporcional, com minúscula cabeça, derrotado e humilhado, remete à queda de tudo diante de um poder déspota e ridículo. A ópera, recém-estreada em Hamburgo (Alemanha), não recusa meios para ridicularizar Donald Trump. O libreto escrito pela escritora austríaca Elfriede Jelinek (Prêmio Nobel de 2004), em parceria com a compositora Olga Neuwirth, foi entregue ao encenador alemão Tobias Kratzer, conhecido principalmente por montagens de Verdi e Wagner e vencedor de importantes prêmios.

Paraíso dos Monstros, a ópera em questão, acaba por provocar um par ou díptico não planejado com outra ópera: O Giz na Boca do Lobo. Dirigida pelo suíço Georges Delnon, o libreto do escritor também austríaco Dieter Sperl organiza falas reais de Vladimir Putin, para, junto das composições do alemão Gordon Kampe, construir um homem obsessivo pelo poder, em excessiva ação de higienizar o chão e a mesa de seis metros onde ocorre toda a cena. O rosto pintado para ser estranhamente esbranquiçado e os gestos exagerados para além do expressionismo configuram uma espécie de Mefistófeles, a figura diabólica de Goethe. Ele discursa com a imponência dos ditadores, porém se engasga com a palavra civilização. Excita-se sexualmente ao cantar músicas folclóricas nacionalistas russas. Estreada em 2025, é também uma produção do Staatsoper Hamburg.

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Em 1989, o Central Park foi local da violação e do espancamento de uma mulher branca, além de agressões e roubos contra outras pessoas e uma sequência de crimes diversos. Acusou-se, então, alguns jovens negros e latinos de serem os responsáveis. A versão em ópera (2019) – em 2012 foi realizado um documentário sobre o caso –, The Central Park Five, narra a perseguição, a........

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