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A Cultura em Portugal trocada por moedas

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18.03.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Um a um, ao que parece, os espaços de cultura serão destruídos pela extrema-direita em Portugal. Não são apenas os afastamentos de Rodrigo Frazão da direção do TBA, de Rita Rato do Museu do Aljube — Resistência e Liberdade. O que menos interessa, por agora, é quem os substituirá. O importante é a mensagem explicitada pelo gesto e como foi entregue. Assim como o congelamento dos apoios ao ensino artístico especializado, cujo valor é um montante irrisório para o Ministério da Educação, preocupa sobretudo pela pouca ou nenhuma vergonha do absurdo. Mesmo se pago, nada o explica. Trata-se, então, de quem, verdadeiramente, governa a cultura.

Em Lisboa, certamente não é Carlos Moeda e o PSD. Bastou um ataque público, uma fala tresloucada preenchida por preconceito e raiva da deputada da extrema-direita, para empurrar a primeira pedra e dar, assim, início à sua sequência destrutiva. Nada demonstra ser um movimento local ou ocasional. Ao alcançar tão rapidamente os resultados pretendidos, em qualquer lugar que haja força representativa do Chega e um presidente de câmara acovardado e sucumbido à própria incapacidade de construir articulações positivas, o extremismo vencerá.

Quando assistimos diariamente a um primeiro-ministro tão inerte, ineficaz, sempre indeciso nos momentos mais urgentes e necessários, à espera dos pronunciamentos da oposição e dos comentaristas políticos para disfarçar sua maneira de juntar aos pedaços as soluções sugeridas por terceiros, meio sem forma e sem sentido, entendemos ser mínima a chance de a cultura sobreviver.

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Há um ano, ouvi uma fala preocupante durante o lançamento da programação de uma sala de espetáculos: de que os teatros deveriam ter mais opinião decisória da população sobre aquilo que programam e de a presença de programadores fixos “talvez” não ser tão necessária. Explicaram-me, ele ser uma pessoa de esquerda, e minha percepção assustada estar errada. Não sei mais se errei tanto.

O cargo ocupado, não importa quem seja e sim o poder em mãos, é dos poucos capazes de determinar muita coisa na prática e dia a dia da........

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