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A Europa emparedada

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19.02.2026

O retiro dos líderes europeus no Castelo de Alden Biesen (Bélgica), em 12 de fevereiro, mostrou que estão convencidos de que a União Europeia se aproxima do precipício. O acontecimento reproduz o comportamento usual da UE: chega tarde e a más horas, num latir esganiçado que não amedronta nem convence.

O diagnóstico que convocou o retiro existencial não é de agora. Os relatórios Letta e Draghi (ambos de 2024) identificaram as doenças que podem condenar a UE à irrelevância e propuseram medidas para a extrair da decadência prometida. O diagnóstico já fora feito por académicos que puseram o dedo na ferida: a UE está emparedada entre a maior competitividade dos EUA e da China, por um lado, e a intensa atividade vulcânica no plano geopolítico, resultante da beligerância da Rússia e da marcha-atrás que a Administração Trump engatou na aliança transatlântica.

A UE precisa de mudar de vida. Todos os fatores conspiram contra ela. Mas esta é uma Europa que definha, agarrada à ilusão de um soft power que é letra morta no contexto de relações diplomáticas subordinadas à força das armas e à razão da força. Os desafios que pesam sobre a UE são existenciais. Não devem ser encarados de ânimo leve. Um ânimo leve condizente com a lógica de mínimo denominador comum, quando os Estados-membros preferem os egoísmos nacionais e não conseguem ver além do paroquialismo nacional.

Se a Europa não se desembaraçar do défice de competitividade, arrisca-se a ficar irremediavelmente para trás. Quanto mais demorar a reagir, mais difícil será recuperar a distância........

© PÚBLICO