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A República das Bainhas

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16.03.2026

Portugal tem muitas qualidades admiráveis: um sol generoso, uma cozinha invejável e uma extraordinária capacidade para discutir irrelevâncias com a solenidade de um concílio. Quando o novo Presidente da República tomou posse, momento que noutras geografias talvez inspirasse reflexões sobre o rumo do país, o estado da democracia ou os desafios do futuro, entre nós produziu sobretudo um fenómeno sociológico digno de estudo: uma investigação nacional sobre um vestido.

Sim, um vestido. Não uma lei, não uma política pública, não uma decisão de Estado. Um vestido. As redes sociais, esse grande café do Chiado da nossa época, palco do retrato cru queirosiano, que não se extinguiu, encheram-se de especialistas súbitos em direitos de autor têxteis, peritos em bainhas, detectives de etiquetas e juristas improvisados da alta-costura. Surgiram acusações, teorias, indignações e até indignações indignadas com a falta de indignação suficiente. Foi um festival de zelo cívico aplicado ao que........

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