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Como uma cidade envolvente de um rio se pode preparar para a próxima grande cheia?

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30.03.2026

Importa esclarecer como uma cidade ribeirinha, caso de Coimbra, se pode preparar para um futuro episódio de uma grande cheia, com extenso alagamento das planícies de inundação.

Depois de ter sofrido prejuízos consideráveis em episódios anteriores, em grande parte por se ter permitido a edificação em áreas naturalmente inundáveis, uma cidade deve adotar um conjunto de medidas preventivas que minimizem os efeitos de um novo desastre natural.

Desde logo, é indispensável existir um adequado plano de gestão hídrica para o setor da bacia de drenagem situado a montante da cidade, incluindo protocolos prudentes de gestão dos caudais afluentes e efluentes das barragens, sobretudo no período de inverno. Convém recordar que estas infraestruturas, de construção muito dispendiosa, têm geralmente fins múltiplos. Não servem apenas para atenuar cheias; servem também para produção de energia elétrica, abastecimento público de água, bem como usos agrícolas e industriais. Estas finalidades entram em conflito com a necessidade de manter capacidade de encaixe para amortecer caudais extremos e, frequentemente, com as necessidades ecológicas dos ecossistemas fluviais e estuarinos.

Acresce que qualquer barragem tem que dispor de um Plano de Emergência, devidamente articulado com os instrumentos de ordenamento (PDM) e de Proteção Civil dos municípios situados a jusante. Tal exigência decorre da necessidade de preparar a resposta perante cenários extremos, incluindo falhas estruturais, eventos sísmicos ou outras situações de risco excecional. A segurança não pode ser tratada como uma variável secundária, sobretudo quando dela depende a proteção de extensas áreas urbanas e agrícolas.

Por exemplo, no caso da grande barragem da Aguieira, importa ter presente a sua proximidade (6 km) à mais importante falha ativa do Oeste da Península........

© PÚBLICO