Uma Universidade funcionária
à estupidez ao desespero sem bocaao medo perfiladoà alegria sonâmbula à vírgula maníacado modo funcionário de viverUm Adeus Português, Alexandre O’Neil
à estupidez ao desespero sem bocaao medo perfiladoà alegria sonâmbula à vírgula maníacado modo funcionário de viver
Um Adeus Português, Alexandre O’Neil
Não há qualquer dúvida ao se associar às universidades às principais inovações científicas, sociais e tecnológicas. Ao longo dos séculos, as universidades são as instituições que na sociedade abrigam o saber até então acumulado e onde se desenvolvem as ideias que materializam o futuro. Hoje, as universidades não são as únicas instituições que na sociedade têm o monopólio destas atividades, dado que o próprio desenvolvimento das universidades deu origem a entidades privadas de desenvolvimento tecnológico, de natureza fundacional ou empresarial, associações de difusão de conhecimento, etc.
Em Portugal, as universidades públicas, muito especialmente, estão associadas ao que há de mais relevante em termos de desenvolvimento científico, social e tecnológico, sendo o fermento das transformações mais relevantes que tiveram lugar nas últimas três décadas. Contudo, depois de um desenvolvimento notável, e basta recordar que o número de estudantes que hoje ingressam nas universidades é cerca de 8,5 vezes maior do que há 35 anos, atingimos um ponto onde só mudanças estruturais profundas podem impedir que as universidades entrem também na lista das instituições que caíram no descrédito dos cidadãos. Há um desconhecimento, senão mesmo uma incompreensão, sobre o que é o ensino superior e a investigação científica, desconhecimento este que contribui para a desvalorização da atividade científica e de ensino. E não nos referimos ao discurso populista de que nada de bom foi alcançado depois do 25 de Abril.
Um olhar atento aos últimos 50 anos mostra um desenvolvimento notável: o número de alunos inscritos; uma maior participação e diversidade de estudantes de diferentes origens sociais; a produção científica traduzida no número de doutorandos, bem como no número e na qualidade das publicações científicas; o número de diplomados que integraram e contribuíram para o desenvolvimento do tecido empresarial; o contributo para a discussão pública de grandes temas que afetam a vida dos portugueses, quer a nível dos costumes, quer a nível do ambiente, quer a nível de........
