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Já nos esquecemos das lições da covid-19?

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21.08.2026

Em Junho, durante a primeira das ondas de calor recorde que assolaram a Europa este Verão, “o Serviço de Ambulâncias de Londres recebeu mais de 53 mil chamadas, ultrapassando o número registado no auge da pandemia de covid-19, em Março de 2020”, noticiou esta semana a Bloomberg Green. E as condições dentro dos hospitais britânicos eram “muito piores” do que durante a covid, disse à Bloomberg Fiona Brennan, anestesista em Cardiff. Fazia tanto calor dentro das salas de cirurgia para doentes oncológicos que até procedimentos básicos falhavam, contou Brennan, acrescentando que alguns doentes suavam tanto que ela tinha de verificar constantemente se os soros intravenosos não estavam a “escorregar” para fora do corpo.

Também à semelhança da covid, os primeiros números de mortalidade subestimaram drasticamente o número de mortes que viriam a seguir. A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido estimou inicialmente que 2877 pessoas morreram devido a doenças relacionadas com o calor em Maio e Junho. A França estimou 5700 mortes em excesso entre 17 de Junho e 2 de Julho. Outras análises, beneficiando de dados mais completos e de metodologias mais avançadas, atribuíram ao calor até 20 mil mortes. E isto antes de a vaga de calor de Junho ser seguida por mais quatro vagas de calor, que certamente fizeram aumentar o número de doentes e de mortos.

A Europa não é o único hotspot. Na Índia, as temperaturas na capital, Deli, dispararam para 54 graus Celsius, empurrando os limites da sobrevivência humana, sobretudo para os mais pobres da cidade, e ilustrando, mais uma vez, uma injustiça central da emergência climática: as pessoas que menos contribuíram para a causar são, tantas vezes, as que mais sofrem.

Mas, apesar destes paralelismos, há diferenças cruciais entre a........

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