O que “eles fazem entre quatro paredes” (não me) interessa?
Na família das frases feitas que existem não para defender alguém, mas para defender a sua própria reputação, “o que eles fazem entre quatro paredes não me interessa” é a que ainda resiste sem grande contestação. As primas “eu não vejo cores”, “eu até tenho um amigo que” ou “eu tenho filhas” foram perdendo o brilho, mas esta ainda ilumina muitas cabeças que se dizem progressistas. No entanto, dependendo do contexto, há nela mais trevas do que luz.
Nos casos em que é proferida por pessoas que se pensam aliadas das pessoas LGBTQIA , é o mesmo que dizer: “Eu tolero os teus atos desde que não os veja, mas não te vejo a ti.” É reduzir uma identidade a um ato. É tratar o ser queer como se fosse uma espécie de kink, uma preferência de alcova, algo que acontece entre lençóis e que, portanto, não precisa de existir à luz do dia. É ficar satisfeita em oferecer um quarto como espaço seguro, mas não o mundo. Porém, ser queer não é uma posição sexual kamasutresca. É também uma forma de ser e........
