A política da profecia auto-realizável
O ataque combinado dos Estados Unidos da América e de Israel ao Irão, em pleno processo negocial, tem gerado um leque disperso de reações políticas e mediáticas. A polarização em torno das especulações acerca da motivação dos ataques – exacerbada pela incongruência discursiva no seio da administração norte-americana – é acompanhada por um exercício criativo de reconstrução narrativa que se observa por todo o mundo. Das declarações de líderes europeus, passando pela NATO, e com clara repercussão nos media e análises televisivas, assistimos a uma enxurrada de constatações do incontestável perigo global iraniano, evidenciado pelo seu comportamento de irresponsabilidade e desestabilização regional, seguidas de veemente e inequívoca condenação dos ataques levados a cabo pelo país. Mas e o contexto não importa?
