Universidade com futuro
Diz-se, com frequência crescente, que a universidade está em crise, e aponta-se o dedo à inteligência artificial generativa: os ensaios escritos por máquinas, o plágio industrializado, as revisões por pares feitas por algoritmos. Mas a IA não inaugurou esta crise, apenas a acelerou e levou-a à sua conclusão lógica. A crise começou há muito mais tempo, quando o crescimento exponencial dos dados ultrapassou o que qualquer pessoa, disciplina ou instituição conseguia integrar; quando o conhecimento se fragmentou em nichos hiper-especializados, cada um com a sua língua, as suas revistas, as suas métricas, cada vez mais incapazes de falar entre si; quando a avaliação qualitativa das pessoas e das ideias foi substituída por estruturas meramente quantitativas (factores de impacto, índices de citação, rankings). Bill Readings chamou-lhe a passagem de uma universidade organizada em torno de uma ideia substantiva (por exemplo, a Razão, a Cultura ou mesmo o Conhecimento) para uma universidade organizada em torno do significante vazio da "excelência". A excelência não tem conteúdo: é uma métrica puramente comparativa. Uma universidade que persegue a excelência já não pergunta "para que serve o conhecimento?" ou "quem é a pessoa que aprende e que sairá daqui?”; pergunta apenas como se comparam os seus outputs com os das instituições concorrentes. A questão do valor foi substituída pela questão da medida.
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Poderia argumentar-se que a "excelência", não sendo em si um valor ou uma ideia substantiva, ainda assim os refletiria. Uma universidade, um centro de investigação ou um trabalho científico com o carimbo da excelência seria........
