O Coração Ainda Bate. Ainda danço
Já não gosto de sair à noite como quando tinha 30 ou 40 anos. Isto faz de mim velha ou é apenas um encaixe natural da vida, que nos deixa a noite para o conforto? E, se a questão for a idade, qual é o problema de o assumir? Nenhum.
Sempre fui e continuo a ser uma mulher de convívios. Deem-me a possibilidade de juntar uma ou dez pessoas em casa e será difícil parar as conversas, o que vem para a mesa, os pratos que se encavalitam na cozinha. Depois há aquela hora magnífica, em que, com a casa já em silêncio, arrumo tudo, mastigando só as palavras dos outros. A minha sobremesa é o riso dos amigos.
Na noite continuo a encontrar o mistério, para além da insónia. A noite é o lugar onde o medo e os sonhos crescem, em igual medida. Por isso precisamos tanto de sair: para espantar o receio acumulado. A catarse desenha-se sem horas, em madrugadas fora de casa.
Deixamos de apreciar as saídas, não porque as surpresas terminaram; isso é uma........
