menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Crise petrolífera, oportunidade climática. Obrigado, Donald?

10 0
wednesday

O que chega sem ser convidado, perturba o que é conhecido, mas acaba por servir como o catalisador mais eficaz do progresso? A crise. Em nenhum lugar este paradoxo é mais evidente do que na resposta global às alterações climáticas. Historicamente, a legislação ambiental de relevo segue-se ao desastre, não à previdência.

Lembra-se da chuva ácida? Provavelmente não —​ tem o Protocolo de Helsínquia de 1985 a agradecer por isso, quando as nações se uniram para reduzir com sucesso as emissões de enxofre para metade, depois de as florestas começarem a morrer e os recursos hídricos se tornarem tóxicos. A descoberta de um vazio enorme na camada de ozono sobre a Antártida, e a perspetiva muito real de cancro de pele em massa, deu origem ao Protocolo de Montreal em 1987 — que é ainda o tratado ambiental mais bem-sucedido alguma vez assinado.

As crises energéticas contam a mesma história. Em 1973, os membros árabes da OPEP cortaram o fornecimento em retaliação pelo apoio ocidental a Israel durante a Guerra do Yom Kippur, e o pânico resultante desbloqueou padrões de eficiência de combustível e o primeiro investimento público sério em energias renováveis que anos de lobbying não tinham conseguido produzir. Cinquenta anos mais tarde, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 repetiu a lição: quando os preços do gás europeu atingiram máximos históricos de um dia para o outro, a expansão das renováveis no continente acelerou mais rapidamente do que qualquer diretiva do Pacto Ecológico tinha conseguido em anos.

O padrão é condenável: não agimos sobre o que sabemos. Agimos com base no que sentimos — e a crise do Estreito de Ormuz é apenas a prova mais recente.

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) chamou-lhe "o maior desafio de segurança energética global da história". E os números confirmam-no: O fluxo de petróleo bruto pelo Estreito caiu de 20 milhões de barris por dia para pouco mais de dois milhões. O petróleo Brent disparou........

© PÚBLICO