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Retiraram as tendas. Querem retirar-nos a pólis

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20.10.2026

Na madrugada de 20 de outubro de 2026, a PSP deu cinco minutos aos manifestantes acampados no Rossio para desmontarem as tendas. Pouco depois das seis da manhã havia mais de cinquenta detidos. No Porto, cinco dias antes, o Corpo de Intervenção entrara na Praça D. João I às três da manhã; o movimento contou 37 feridos. O que estas pessoas pediam era uma casa. O que lhes foi retirado foi o direito de ocupar o espaço que é seu para dizer aquilo que ninguém ouve. A polícia invocou o Decreto-Lei n.º 406/74, uma lei de agosto de 1974, nascida de Abril para abrir as praças ao povo. Cinquenta e dois anos depois, serve para as fechar à meia-noite e meia.

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No Porto, os manifestantes saíram depois de dois avisos, sem resistência. Em Lisboa, não: formaram um cordão humano e acabaram algemados. No Porto, cinco dias antes, o mesmo movimento tinha conhecido a carga policial. Um corpo que foi vítima de violência obedece e cala. É esse o cidadão que queremos?

Em Madrid, a acampada da Puerta del Sol está de pé desde 26 de setembro, com centenas de tendas. Não sem tensões, mas quando grupos de extrema-direita tentaram entrar, foi a Polícia Nacional que protegeu as tendas, e a Universidade Complutense deu aulas na própria praça. Em Espanha, a polícia protegeu o protesto. Em Portugal, retirou-o.

Em A Condição Humana, Hannah Arendt lembra que a pólis não é a cidade de pedra: é o espaço que nasce quando as pessoas agem e falam em conjunto. O poder nasce quando se juntam e desaparece quando se dispersam. Dispersar um protesto pacífico não é, por isso, uma operação de ordem pública. É uma operação sobre o poder dos cidadãos. E se nem a presença pacífica numa praça é tolerada, a........

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