Realocados climáticos: o problema que já não pode ser ignorado
O mundo atravessa um silêncio no activismo climático. O multilateralismo entrou em crise porque os senhores das guerras em curso, em particular no Médio Oriente e na Europa, estão sentados à mesa do Conselho de Segurança da ONU. A Rússia e os Estados Unidos da América têm vindo a contribuir decisivamente para uma quebra abrupta da credibilidade das Nações Unidas. Se o direito humanitário é constantemente violado pelos actores bélicos actuais, o multilateralismo climático sofre talvez o maior ataque da sua história desde a Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês).
As Conferências das Partes (COP), no âmbito da UNFCCC, têm demonstrado que o multilateralismo climático não tem conseguido consolidar um caminho efectivo para a protecção jurídica das vítimas dos impactos das alterações climáticas.
Foi neste contexto que, no final de Abril, a conferência de Santa Marta, na Colômbia, decorreu num panorama global marcado por uma crise energética agravada por conflitos armados e por uma profunda frustração com as negociações climáticas das Nações Unidas, que, ao longo de três décadas, não conseguiram construir um quadro jurídico internacional, apesar da emergência climática.
O resultado desta conferência, do outro lado do Atlântico, mostrou que pelo menos 57 países estão dispostos a........
