No lugar de sempre
Todos os dias, pelas sete da tarde, o homem chegava a casa, descalçava os sapatos e trocava-os pelos chinelos estafados, cinzento-escuros, que o esperavam no lugar de sempre, sentava-se na poltrona em frente à televisão e ali permanecia, com o aparelho desligado, aguardando pela mulher que viria da cozinha, secando as mãos num qualquer pano da loiça. O homem aguardaria sem ansiedade o cumprimento fugidio da esposa no rosto e, entre ambos, dar-se-ia início ao silêncio cúmplice dos serões, aquele silêncio que não precisava de palavras porque já as conhecia todas. Só então sentiria, por antecipação, o sabor agridoce do jantar ao lume, e o........
