A flexibilidade nórdica que a direita quer
Na entrevista recente ao Jornal de Notícias, a Ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho afirmou que “os países que são mais flexíveis pagam melhor”. A frase resume perfeitamente a premissa da direita portuguesa sobre o mercado laboral: quanto menos proteção tiver quem trabalha, mais dinâmica a economia, mais competitivas as empresas e mais altos os salários.
Para vender esta ideia de que a desregulação traz prosperidade quase automaticamente, os exemplos são sempre os mesmos: os países nórdicos. Alegadamente contratam e despedem com rapidez e, ainda assim, acumulam produtividade elevada, salários altos e índices de felicidade invejáveis.
Só que, para a narrativa funcionar, a direita — e os liberais em particular — precisam de fazer um recorte muito conveniente da realidade e omitem, por desonestidade intelectual, tudo o que desmonta a tese da “flexibilidade”.
A direita gosta de repetir que, nestes países, o Estado interfere pouco nos salários, nos horários ou nas relações laborais - e é verdade. Mas acontece que o Estado não legisla porque não precisa.........
