O fim dos combustíveis fósseis já começou - falta cumpri-lo
Há cinco meses, estava em Belém do Pará, no coração da Amazónia brasileira. Lá, os dias de trabalho foram longos, as noites culturais regeneradoras, e a resistência latino-americana sentia-se em todos os cantos da cidade. A COP30 aconteceu sob o calor húmido e a chuva amazónica de todos os dias, carregando consigo as habituais controvérsias e contradições. E, no entanto, no meio de tudo isso, o essencial voltou a escapar: um acordo claro para o abandono dos combustíveis fósseis.
Mas como sempre, a luta continua - e é precisamente daí que nasce a Primeira Conferência sobre a Transição para o Abandono dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, onde me encontro agora. Num momento particularmente crítico, em que comunidades de todo o mundo enfrentam as consequências humanas de um sistema energético fóssil tão volátil quanto violento, este encontro propõe-se dar um passo concreto: iniciar um processo real de transição para longe dos combustíveis fósseis, com vista à construção de sociedades e economias mais sustentáveis.
A expectativa é que Santa Marta possa tornar-se um ponto de viragem - uma oportunidade para reforçar a cooperação internacional e consolidar um compromisso coletivo com uma transição que não é apenas desejável, mas necessária: cientificamente inegociável, juridicamente obrigatória e profundamente enraizada nos direitos humanos, na justiça e na equidade.
O contexto global não podia ser mais tenso. Os........
