A educação precisa de voltar a acreditar na humanidade
A recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, tem sido amplamente saudada como um poderoso apelo à dignidade humana, à fraternidade e à reconstrução do bem comum. Menos discutidas têm sido, contudo, as suas implicações educativas. Talvez porque, durante as últimas décadas, nos habituámos a pensar a educação através de uma linguagem cada vez mais económica e instrumental. Falamos de competências, desempenho, produtividade, empregabilidade, rankings e indicadores. Falamos menos de humanidade.
No entanto, a questão central colocada pela encíclica é precisamente esta: que ideia de ser humano deve orientar as nossas instituições e as nossas escolhas coletivas? E poucas instituições são tão decisivas para responder a essa pergunta como a educação.
A preocupação de Leão XIV surge num momento particularmente significativo. Vivemos numa época marcada por profundas desigualdades sociais, pela crise ecológica, pela aceleração tecnológica, pelo crescimento das migrações e pela fragmentação dos espaços públicos democráticos. Em resposta a estes desafios, os sistemas educativos foram sendo chamados a demonstrar a sua eficácia através de métricas cada vez mais sofisticadas. A avaliação tornou-se indispensável; o problema começou quando a avaliação passou a definir os próprios fins da educação.
O que era um instrumento transformou-se progressivamente numa visão do mundo.
A filósofa Hannah Arendt oferece-nos uma chave particularmente fecunda para compreender este processo. Em A........
