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Debate de ideias, não de pessoas

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16.04.2026

Na segunda-feira à noite, dois portugueses sentaram-se frente a frente numa televisão e fizeram algo raro: debateram. Não trocaram insultos disfarçados de argumentos, não proferiram frases ensaiadas para o próximo clip das redes sociais, não fugiram para o terreno confortável da vítima ou do perseguidor. Durante hora e meia, com interrupções, atropelos, palmatórias à mistura, José Pacheco Pereira e André Ventura discutiram história, violência política, ditadura e democracia. Pode ter sido desconfortável. Foi, porém, necessário. E foi bom.

O pretexto foi uma afirmação de Ventura na sessão solene dos 50 anos da Constituição, segundo a qual pouco depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que dantes. Pacheco Pereira contestou-a com dados: houve mais de 12 mil presos políticos entre 1945 e 1974, além de milhares detidos nas colónias, e lançou o repto para um debate. Ventura aceitou. As regras eram simples: sem ataques pessoais, cada afirmação documentada. Na prática, o duelo acabou dominado pela técnica "futebolística", populista e amalgamada com que Ventura e as suas permanentes interrupções condicionam, em favor próprio, os debates em que participa. Pacheco Pereira respondeu com livros, relatórios e uma palmatória literal, levada para ilustrar as torturas nas colónias. O debate foi irregular. Mas aconteceu.

E ainda bem que aconteceu. Vivemos numa época de verificação compulsiva. Cada afirmação gera um fact-check, cada discurso convoca os polígrafos do jornalismo, cada declaração é pesada na balança da literalidade. É útil, sem dúvida. Mas há um efeito secundário perverso: a obsessão pela verificação de........

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