Precisamos de mais do que incentivos à reciclagem: precisamos de mudar o sistema
Na última semana, uma nova coreografia instalou-se à porta dos supermercados portugueses. O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) chegou com a promessa de circularidade, mas para muitos, chegou também com o peso da burocracia. Ouve-se o desabafo nos corredores: “Antigamente era só levar o saco ao ecoponto amarelo; agora é preciso colecionar garrafas, enfrentar a máquina, guardar o talão, ir para a fila da caixa... são passos a mais para quem já fazia a sua parte”. A isto soma-se a frustração de quem, de garrafa na mão, descobre que o sistema ainda não a reconhece, perdida num limbo de stocks antigos que os fornecedores têm até ao verão para escoar.
Apesar da fricção inicial, espera-se que o SDR acrescente uma camada de responsabilidade e retorno que os sistemas convencionais raramente conseguem igualar. Em vários países europeus, os sistemas de depósito e reembolso conseguem taxas de devolução muito superiores às da recolha seletiva convencional, frequentemente acima dos 90%.
Ouve-se com uma frequência preocupante a palavra “circularidade” ser usada como........
