A onda global de mobilizações que Montenegro quer parar com um bastão
“Justamente quando a esperança parecia perdida, eles vieram”. Assim reagiu a escritora Arundhati Roy à “revolta das jovens baratas”, o protesto estudantil que agitou a sociedade indiana, exigindo mais transparência num sistema de exames deformado pela corrupção.
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Em julho, ao fim de semanas de manifestações, ocupações e greves de fome, o ministro da Educação nomeado por Narendra Modi não teve outra alternativa senão apresentar a demissão. Não foi o único governo a ser abalroado pela revolta da “geração Z”. Desde a primavera, destaca-se uma onda global de mobilizações, cujo motor é uma juventude que toma as ruas não a partir de um descontentamento difuso ou de uma proclamação impotente contra o sistema, mas a partir de reivindicações muito concretas, direcionadas a quem se senta nas cadeiras do poder.
De Timor a Portugal, do Brasil à Alemanha, conseguimos identificar pelo menos três plataformas da revolta. A primeira são as escolas e as universidades. França e Bélgica são os exemplos mais contundentes de países onde os estudantes lideram os protestos em defesa da educação pública, exigindo melhores condições nas escolas e mais professores.
O pano de fundo é o debate sobre os orçamentos anuais, que preveem um aumento do investimento em armamento, num contexto de subida das propinas, do preço dos transportes e do custo de vida. Estas reivindicações concretas resultaram em cedências,........
