No que toca à redução de mortes na estrada, andamos a ver o filme ao contrário
Quando Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, publicou um vídeo seu a andar de bicicleta sem capacete, achei banal. Vera Bonvalot, cronista neste jornal, não concordou. Na opinião de Bonvalot, o problema não foi a segurança do percurso, a falta de uma rede ciclável abrangente ou a velocidade dos carros que partilhavam a rua com ele. Foi a ausência do capacete.
É isto que está errado na forma como falamos do perigo rodoviário. Em vez de resolvermos o que está a causar os danos, focamo-nos na necessidade de os utilizadores mais vulneráveis se protegerem dos agressores. Estamos a ver o filme ao contrário.
O capacete não impede um automobilista de acelerar demasiado em ruas residenciais, não impede um condutor de conduzir distraído e não protege ninguém do impacto de um SUV de 2000 quilogramas. O país onde mais se pedala, a Holanda, tem uma taxa de uso de capacete inferior a 1% e uma das taxas de mortalidade por quilómetro pedalado mais baixas do planeta. Os capacetes de bicicleta nunca foram projetados nem testados para colisões com veículos motorizados. O desenho das ruas holandesas faz o trabalho que, injustamente, pedimos em Portugal que seja feito pelos capacetes.
Moedas não deve ser pressionado a mudar de indumentária sempre que vai........
