Teatro da inovação: a ilusão que sai cara
Pufes, óculos de realidade virtual e outras encenações que não mudam nada Há algo que se repete em empresas de todo o mundo e que já devia ter nome próprio — na verdade, já tem: chama-se teatro da inovação. O cenário é quase sempre o mesmo. Uma sala luminosa, mobiliário descontraído, post-its coloridos na parede. Um ecrã gigante com a palavra “disrupção”. Alguém de ténis e sem gravata a falar sobre a importância de “pensar fora da caixa”. E, algures na plateia, um grupo de colaboradores que já percebeu que aquilo não vai mudar rigorosamente nada.
Não me interpretem mal: não tenho nada contra pufes. Nem contra hackathons, laboratórios de inovação ou sessões de design thinking. Antes pelo contrário! O problema começa quando estas atividades existem mais para parecer do que para produzir. Quando se tornam rituais de aparência, desenhados para impressionar investidores, entreter administrações e preencher relatórios anuais com fotografias inspiradoras. Teatro, no sentido mais literal da palavra: há palco, há figurinos, há uma audiência. Mas quando o pano cai, ninguém sabe muito bem o que ficou.
O teatro da inovação é mais comum do que se pensa e é mais nocivo do que parece. Pensem nas sessões intermináveis de post-its que nunca saem do quadro. Nas incubadoras corporativas que produzem protótipos que depois não escalam. Nos projetos “moonshot” anunciados com pompa em comunicados de imprensa que, um ano depois, desapareceram silenciosamente da conversa. Tudo isto cria uma ilusão de progresso,........
