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A tirania da ronda de financiamento

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22.08.2026

Há 20 anos que falo com jovens empreendedores. Muitos chegam com uma apresentação preparada para investidores antes de terem tido uma conversa séria com clientes. Sabem qual poderá ser a próxima ronda, imaginam o exit, conhecem os múltiplos e o discurso certo para impressionar o ecossistema. Mas, por vezes, ainda não sabem se alguém está disposto a pagar pelo produto.

Talvez os ventos estejam a mudar porque, ultimamente, tenho encontrado mais empreendedores que preferem financiar as suas empresas com a própria receita. Não por falta de ambição, mas porque perceberam que há mais do que uma forma de construir uma empresa. Querem crescer ao ritmo que o negócio permite, reinvestir os lucros, pôr os clientes em primeiro lugar e, sobretudo, manter o controlo. É uma escolha menos vistosa, quase nunca celebrada nos palcos, mas viável e com benefícios reais a longo prazo.

O curioso é que, durante muito tempo, esta era a escolha normal. Construía-se uma empresa com uma ideia, algum dinheiro para arrancar, clientes, vendas, recrutamento e crescimento. O capital externo podia surgir mais tarde, se fizesse sentido. Não era um ritual de passagem obrigatório, nem uma prova de que o negócio era sério.

A dada altura, o boom das startups alterou essa perceção. A narrativa dominante passou a ser outra: levantar capital, crescer depressa,........

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