Exportação de talento a custo zero- o retrato de um país
Há uma hora nos hospitais, talvez a mais honesta de todas, em que o relógio deixa de marcar o tempo e começa a medir o heroísmo. É quando o sol se põe… os corredores se adensam em silêncios metálicos, e o Enfermeiro — esse alquimista da sobrevivência — se metamorfoseia em múltiplos seres, acumulando, sem pedir licença nem salário, os títulos de “médico”, “psicólogo”, “nutricionista”, “fisioterapeuta”, “técnico de análises clínicas”, “orientador espiritual”… e, se a ocasião o exigir, um pouco de santo também.
É o crepúsculo dos saberes e dos poderes, quando o hospital se converte numa espécie de república das competências, onde o Enfermeiro é o chefe de Estado, o governo e a oposição, tudo em simultâneo. À medida que o sol se despede, o Enfermeiro torna-se o eixo do mundo hospitalar, não por decreto, mas por necessidade. É nesse instante que o poder formal se dissolve, e o saber prático, aquele que realmente mantém as artérias do hospital pulsando, emerge como soberano.
Mas eis que o........
