Uma abstenção responsável
Escrevo este texto com a serenidade de quem sabe que o voto é um acto de consciência antes de ser uma escolha. Não me movem paixões instantâneas nem slogans de arremesso, mas sim a exigência de coerência entre aquilo em que acredito e aquilo que tento fazer.
Enquanto conservador, recuso o fascínio da ruptura fácil e dos amanhãs que cantam. O Estado, ensinou-nos Burke, é “uma associação não apenas entre os vivos, mas também entre os mortos e os que hão-de nascer”. É, portanto, um governo do tempo, da prudência e dos seus limites. Onde vejo a tentação de simplificar a condição humana em inimigos e salvadores, reconheço um atalho que sacrifica a liberdade no altar do imediatismo. E recuso-o, naturalmente.
Todas as pessoas têm uma dignidade anterior a qualquer poder, programa ou culto do Estado. A política deve proteger o que não criou: a vida, a família, a fé, a propriedade, as instituições que nos precedem e estruturam a sociedade em que vivemos.
Onde vejo desprezo pela pessoa, onde a linguagem rompe a caridade e o poder instrumentaliza a fragilidade, não posso acompanhar quem prefere refugiar-se na ditadura das putativas liberdades individuais como justificação para a barbárie ou indiferença.
Em sentido contrário, o populismo bacoco, os mimetismos forçados e a persuasão........
