Ouçam o que o Pedro diz
Pedro Passos Coelho não é só uma reserva política, é também uma reserva moral do PSD. Há uma semana, durante a apresentação de um livro, o antigo primeiro-ministro voltou a alertar para o problema de clientelismo nas estruturas da Administração Pública. As nomeações de boys e girls, que são fundamentais para alimentar as máquinas partidárias dos maiores partidos, surgem logo que um Governo (seja PS ou PSD) muda. Dias antes, o Observador tinha avançado que 15 dos 18 diretores distritais da Segurança Social eram militantes do PSD e, ainda antes disso, que dois terços dos administradores hospitalares tinham ligações ao PSD.
Todas estas nomeações têm de passar pela CReSAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública), que foi criada por impulso do próprio Pedro Passos Coelho. O então primeiro-ministro esforçou-se, de facto, por fazer diferente. Nessa altura — o que só se soube cinco anos mais tarde e mostra bem a capacidade de guardar segredo dos dois intervenientes –, o primeiro-ministro Passos pediu ao líder da oposição, António José Seguro, que indicasse o presidente da CReSAP. O então líder do PS acabou por apontar João Bilhim. Passos queria mesmo fazer diferente. Mas não conseguiu.
Vamos puxar a fita atrás. A 20 de setembro de 2002, às 21h41 da noite, o ministro da Segurança Social, Bagão Félix, despedia 18 diretores da Segurança Social com ligações ao PS. Passado pouco tempo, todos são substituídos por pessoas com ligações ao PSD e ao CDS. O socialista, José António Vieira da Silva, na oposição, não tem dúvidas e brada aos quatro ventos: “Saneamentos políticos”.
Três anos depois, o mesmo Vieira da Silva torna-se ministro do Trabalho. O que faz? Afasta os 18 com ligações a PSD e CDS e nomeia 18 diretores distritais com ligações ao PS. Bem prega frei António. A ministra que lhe sucedeu durante o reinado socrático, Helena André, manteve tudo cor-de-rosa, não só nas distritais, mas pelo aparelho fora. O indignado desta vez passou a ser o deputado do CDS Luís Pedro Mota Soares, que perguntou no Parlamento: “Todas estas pessoas têm uma ligação direta ao PS. Não tenho a mínima dúvida. O que está por detrás destas promoções?” LPM, como era conhecido o competente deputado, ainda distribuiu pelos jornalistas um powerpoint com os 18 diretores distritais. Surpresa: eram todos do PS.
O candidato Pedro Passos Coelho tinha prometido ainda em campanha........
