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Carneiro e a tendência para ser Kerensky

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19.05.2026

A posição do PS sobre as declarações de Marco Rubio quanto ao uso da Base das Lajes é absolutamente incompreensível, quer do ponto de vista do histórico atlantista do partido, quer mesmo do ponto de vista eleitoral. Um dos grandes valores da Política Externa portuguesa é precisamente o alinhamento entre o PSD e o PS, em particular a relação que ambos têm mantido com um aliado importante como os EUA.

Primeiro, Eurico Brilhante Dias disse que o Governo português submeteu o país a uma “humilhação de escala planetária” e que o Governo “agachou-se sempre” nesta matéria. Depois, foi o próprio líder do PS, José Luís Carneiro, a dizer que o Executivo colocou o País numa “posição lamentável” e ainda atirou: “Um dos dois [Rangel ou Rubio] está a faltar à verdade”.

Na base de tudo isto estão declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos à Fox News, em que Marco Rubio disse o seguinte: “Para ser justo, há países da NATO que foram muito úteis para nós. Vou só dizer um: Portugal. Disseram que sim mesmo antes de perguntarmos o que quer que fosse”. Na resposta, o Governo português disse que o pedido a Portugal só foi feito “depois do ataque ao Irão” e que o Executivo “só aceitou mediante condições que foram logo tornadas públicas”. Há, portanto, duas versões.

O PS podia ter chamado, como fez, o ministro dos Negócios Estrangeiros ao Parlamento, para esclarecer o tema, mas foi completamente despropositado no tom das declarações que fez. O primeiro erro socialista é que — num momento em que o mundo diplomático desconfia das versões apresentadas pelos membros da Administração Trump — o PS prefere acreditar em Marco Rubio em detrimento de Paulo Rangel. Isso, só por si, é um péssimo serviço prestado à diplomacia portuguesa.

As declarações do PS são também um erro porque não trazem os ganhos eleitorais e podem até causar dano. José Luís Carneiro tem crescido nas sondagens, precisamente, ao centro. A moderação e o sentido de Estado é o que têm........

© Observador