menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A escalada no Mar Negro

21 0
27.10.2026

Na madrugada de 13 de outubro, o HS Dignity, um cargueiro com bandeira da Guiné-Bissau que tinha saído da Argélia rumo à Roménia, afundou-se a cerca de quinze milhas náuticas a leste de Krapets, na costa búlgara depois de ter sido atingido por drones. Onze dos seus tripulantes continuam desaparecidos. Na mesma noite, outro navio, o Chelsea-3, foi atacado na mesma zona. Neste caso, todos os quinze tripulantes a bordo foram resgatados com vida. Uma semana antes, o Alfa Watan tinha tido o mesmo destino. Dos seus dez marinheiros, a 18 de outubro, ainda nada se sabia…

Desde 5 de outubro, pelo menos oito navios mercantes foram atacados ao largo das costas da Roménia e Bulgária. Dois dos quais estavam dentro das águas territoriais romenas, ou seja, em território soberano de um Estado da NATO e da União Europeia. Alguns destes navios nem sequer se dirigiam a portos ucranianos.

Na Europa, há anos debate-se se travar petroleiros da frota fantasma russa seria uma “escalada” que pode provocar a ira russa e desencadear uma resposta militar contra a NATO e a União Europeia e aqui encontramos, inclusivamente, duas páginas com navios desta frota fantasma russa visitando portos portugueses… Ora o critério temeroso de “escalada” tem de ser revisto: abordar um navio sem bandeira válida é escalada sobretudo num contexto em que afundar cargueiros civis e assassinar as suas tripulações se tornou rotineiro.

Contudo, temos de sublinhar que, apesar de todas as fortes suspeitas, ainda não temos a certeza absoluta que estes ataques no Mar Negro tenham sido, mesmo, conduzidos pela Rússia: a Bulgária – um país eslavo historicamente pró-russo – ainda não acusou formalmente a Rússia. O primeiro-ministro Rumen Radev convocou a embaixatriz russa e disse-lhe que não faz sentido a Ucrânia afundar os seus próprios navios. A........

© Observador