Portugal precisa de imigrantes. Não precisa de improviso
Há debates que empobrecem o país. A imigração tornou-se um deles. De um lado, há quem fale como se qualquer regra fosse uma cedência ao medo. Do outro, há quem fale como se qualquer imigrante fosse um problema. Entre a ingenuidade e o oportunismo, Portugal arrisca falhar aquilo de que precisa: uma política regulada, exigente e executável.
Portugal precisa de imigrantes. Precisa porque envelhece, porque há sectores que não encontram trabalhadores, porque empresas não conseguem crescer sem mão-de-obra estrangeira e porque a Segurança Social depende cada vez mais de quem trabalha e desconta.
Os números ajudam a recentrar a discussão. Em 2025, as pessoas de nacionalidade estrangeira representaram 14% do total das contribuições para a Segurança Social, com mais de 4,15 mil milhões de euros pagos ao sistema. Depois de descontadas as prestações sociais pagas a cidadãos estrangeiros, o saldo líquido era superior a 3,3 mil milhões de euros.
Estes dados não servem para romantizar a imigração. Servem para desmontar uma caricatura. Quem trabalha, paga impostos, desconta e contribui para a economia não pode ser tratado como um........
