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O tempo do neoiliberalismo

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02.03.2025

Durante quase 20 anos, o insulto de eleição em Portugal – e em boa parte do Ocidente alargado – o neoliberalismo foi o bode expiatório preferencial para todos os males do mundo. Desde a crise financeira do subprime de 2008, aos problemas com serviços sociais e/ou estatais, a crises habitacionais, demográficas e migratórias, a tudo.

Neste período, fomos assistindo à contaminação do discurso político e da sociedade civil pela regurgitação de princípios políticos derrotados pela História, como a oposição ao comércio livre internacional, entendendo os acordos de comércio como ataques à soberania dos Estados e à sua segurança laboral e alimentar, opondo-se à cooperação internacional em matérias de saúde pública ou ação climática e criticando ferozmente blocos económicos e políticos democráticos como a União Europeia.

O neoliberalismo foi a palavra de ordem dos que, à esquerda e à direita, se opunham ao status quo da crescente democratização dos Estados, dos avanços civilizacionais em matérias de direitos sociais individuais, à ideia duma maior liberdade de movimento de pessoas, bens e capitais (não obstante a devida regulação necessária em cada caso) ou a princípios de economias de mercado livre. À esquerda e à direitas não faltaram carpideiras dos tempos idos em que estávamos “orgulhosamente sós” e igualmente pobres.

No seio da União Europeia, a Polónia do PiS (em boa hora removidos do poder pelo povo), a Eslováquia do SNS/Hlas e a Hungria do Fidesz têm sido os principais eixos de resistência contra a ordem liberal, procurando ocupar as instituições públicas, desmantelar as instituições e atacar princípios básicos de separação de poder e escrutínio do poder na prossecução da expansão do modelo da democracia iliberal.

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