Novamente não voto nas presidenciais
Não voto em eleições presidenciais. Não por indiferença cívica, nem por desinteresse pela vida pública, mas por convicção política e lealdade institucional. Sou monárquico e não considero legítimo participar na escolha de uma chefia do Estado que rejeito no seu princípio e no seu funcionamento. Esta decisão, longe de ser um gesto de protesto vazio, resulta de uma avaliação crítica do modelo republicano e da forma como a função presidencial tem sido exercida.
A chefia do Estado, numa democracia madura, deveria representar continuidade, moderação e unidade nacional. No entanto, a experiência republicana portuguesa tem revelado dificuldades persistentes em cumprir esse desígnio. As eleições presidenciais transformaram-se progressivamente num exercício de personalização, dramatização e confronto ideológico, em que candidatos disputam protagonismo político num cargo que deveria estar acima da luta partidária. A teatralização das campanhas, a lógica de competição permanente e a instrumentalização simbólica da função presidencial contribuem para o desgaste do próprio cargo.
Os números reforçam esta realidade: em eleições presidenciais recentes, a participação tem sido baixa a muito baixa. Em 2021, por exemplo, mais de 60% dos eleitores inscritos absteve-se, e apenas cerca de 4,26 milhões de portugueses votaram entre mais de 10,8 milhões aptos a fazê-lo. As estatísticas demonstram que o presidente........
