Uma liga que não pode ser dos últimos
Nos últimos tempos, e sobretudo desde a aprovação da Lei dos Solos, temos assistido a um chorrilho de polémicas a envolver Ministros, Secretários de Estado, Deputados, e até mesmo o Primeiro-Ministro. Estas polémicas não são novas, e precisamente por não o serem, merecem já alguma reflexão por parte da sociedade civil.
O que se discute quanto a esta matéria é, em suma, se pode, ou mesmo se deve, existir uma vida “extra-política” por parte dos nossos governantes. Levantam-se os temas da dedicação exclusiva, da “vida dedicada à causa” e da existência de uma separação clara entre aqueles que definem as leis e os comuns mortais, ou seja, todos nós. Este fenómeno levanta-nos uma questão essencial: deve ser normal e até desejável que os governantes tenham uma vida profissional/empresarial para além da política? Somos da opinião de que sim.
Sendo os titulares de cargos públicos humanos e sendo todos nós humanos um homo politicus, parece-nos claro e lógico que se possam ter exercido, anteriormente, ou vir a exercer, para futuro, um conjunto de atividades profissionais ou empresariais que, pela tremenda interligação que hoje o mundo apresenta, dificilmente não possam tocar na pasta que se tenha tutelado ou se venha a tutelar.
A pergunta que nos devemos fazer é se este trade-off é, genericamente, vantajoso ou não. Para responder à questão do parágrafo anterior, teremos de analisar vários vetores – muitos destes de carácter subjetivo porque dependentes da pessoa em concreto sobre a qual a análise incida – sendo que o principal........
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