Presidenciais: são as redes sociais estúpido!
A única previsão que tinha em relação a estas eleições é que António José Seguro (AJS) iria ganhar a primeira volta a uma distância maior do que indicado pelas sondagens. Fez uma boa campanha sem atacar os adversários. Soube gerir os silêncios. Como é habitual as próprias sondagens tiveram impacto nos resultados eleitorais como já aconteceu no passado. Isto porque o carácter renhido dos resultados nas previsões das sondagens, levaram muita gente, em particular de esquerda (apoiantes de Livre, Bloco, PCP e mesmo socialistas que não votariam no candidato apoiado pelo PS) a não votar nos candidatos da sua preferência política, mas em votar Seguro.
Isto significa que os votos em AJS estão sobredimensionados relativamente à sua base eleitoral e, por seu lado, estão subdimensionados os votos em António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto em relação aos eleitorados dos partidos que os apoiam (PCP, BE e Livre). Dos três parece-me que o mais penalizado pelo “voto útil” foi Jorge Pinto por duas razões. Primeiro, porque, ao contrário dos restantes, foi ambíguo em relação à possibilidade de desistência e teve a honestidade de dizer que compreendia que as pessoas votassem útil noutro candidato potencialmente ganhador. Segundo, porque os eleitores do Livre, mais do que os do Bloco ou PCP, são mais tolerantes e racionais sobre a implicação do seu voto e menos obedientes às indicações de voto dos respetivos partidos de filiação ou afeição. Quer António Filipe, quer Catarina são candidatos sólidos, bem conhecidos e experientes, enquanto Jorge Pinto, mais jovem e menos habituado a estas lides foi, contudo, uma boa surpresa destas........
