Dois presidentes, dois discursos diferentes
Como é tradição celebrou-se o 25 de Abril de 1974. A mais importante celebração foi e será sempre feita nas ruas. Foi aí que se fez o 25 de Abril com cravos vermelhos. Foi aí que se festejou o início da Liberdade, o fim da censura, e da polícia política, o fim da subordinação de muitas mulheres ao poder legal e real do patriarcado, entre muitas outras conquistas. Só pode subavaliar a dimensão histórica do 25 de Abril quem o não tenha vivido ou quem não tenha mínimos conhecimentos históricos do que foram os quarenta e oito anos que o precederam e de qual era a situação do país nessa data. Para além da inexistência de Liberdades (civis, políticas, incluindo de reunião, de associação, de opinião) Portugal era um país isolado e profundamente atrasado, com taxas de analfabetismo e de pobreza absoluta a níveis chocantemente elevados no contexto europeu. A celebração oficial na Assembleia da República é também importante, não apenas para marcar o simbolismo da data, mas precisamente porque vão engrossando as gerações que nasceram após 1974 e porque há quem não tenha memória nem esses mínimos conhecimentos históricos, advindos de familiares ou aprendidos na escola.
Neste sentido os discursos das mais altas figuras do Estado merecem escrutínio e não poderiam ser mais diferentes. Antes do mais o Presidente da República (PR) falou para o país e em particular para os jovens e fez um discurso pedagógico explicando o que podem fazer hoje e não poderiam fazer antes de Abril. Já o Presidente da Assembleia da República (PAR) dirigiu-se sobretudo para os deputados e para a sua responsabilidade de trazer para a Assembleia da República “mais pessoas talentosas, competentes e motivadas para servir o país”. Porém, não é nos destinatários que reside a maior diferença discursiva, mas no conteúdo.
António José Seguro fez um bom discurso que merece ser lido com atenção. Citou pessoas que merecem ser citadas: de José Gil, a Anna Harendt, passando por Sophia de Mello........
