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A medicina digital precisa de médicos

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31.05.2026

Vivemos um tempo em que a medicina sabe cada vez mais, mede cada vez melhor e chega cada vez mais longe. E, ainda assim, cresce a sensação de que algo de essencial se está a perder pelo caminho. Aceita-se o sofrível em vez de exigir o bom; perdem-se referências e objetivos na operacionalização do possível; introduz-se ruído sobre a serenidade do saber. Tudo parece resolver-se na velocidade de um clique ou de um post e na expectativa de existir sempre mais uma vida se o desfecho for desfavorável. Como num jogo do smartphone ou nas redes sociais! É o tempo da sociedade digital, e é também o tempo da medicina digital. Comemoramos este ano o Dia Mundial do Médico de Família sob um lema que é sobretudo um aviso: cuidar com compaixão num mundo digital. Quanto mais sofisticados forem os meios, maior tem de ser a atenção ao modo como cuidamos das pessoas.

Ter médico de família não é apenas ter alguém com quem marcar consulta quando surge uma necessidade urgente, nem um mecanismo de compensação para falhas noutros níveis de cuidados. O médico de família não existe para “resolver o que os outros não resolvem”, nem para funcionar como filtro burocrático de acesso ao sistema. Existe para acompanhar pessoas ao longo do tempo, integrando episódios de saúde e doença em histórias de vida concretas, marcadas por contextos familiares, sociais, profissionais e emocionais.

Esta proximidade não é um luxo humanista, nem uma forma menor de medicina, feita apenas de gestos simples ou de........

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