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Quem deve decidir quem governa?

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08.07.2026

No meu artigo anterior procurei mostrar que talvez não exista uma única democracia, mas várias conceções diferentes daquilo a que chamamos democracia.

Mas existe ainda uma pergunta mais incómoda que é esta: e quem deve decidir quem governa?

A resposta parece tão evidente que raramente é formulada.

Todos. Dirá, provavelmente, a maioria.

Todos os cidadãos adultos devem ter exatamente o mesmo poder político.

Nas democracias liberais, este princípio tornou-se quase sagrado. Questioná-lo é frequentemente interpretado como um ataque à própria democracia.

E, no entanto, a teoria política nunca deixou verdadeiramente de discutir esta questão.

Talvez porque exista um paradoxo difícil de ignorar.

Uma democracia necessita de cidadãos minimamente informados para produzir boas decisões coletivas, porém, o próprio sistema democrático oferece muito poucos incentivos para que esses cidadãos se informem.

Este problema foi aliás identificado há muito por Anthony Downs através de um conceito que continua hoje extraordinariamente atual e chama-se “a ignorância racional”.

O raciocínio é simples. Numa eleição com milhões de eleitores, a probabilidade de um único voto alterar o resultado final é praticamente nula.

Consequentemente, o benefício esperado de investir dezenas ou centenas de horas a estudar programas eleitorais, economia, finanças públicas, política internacional ou direito constitucional torna-se extremamente reduzido.

Para muitos cidadãos, simplesmente não compensa. Não porque sejam pouco inteligentes.

Nem porque sejam irresponsáveis. Mas porque respondem........

© Observador