menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Seis notas sobre uma primeira volta

31 11
24.01.2026

As presidenciais não escapam à reconfiguração do sistema partidário — Durante 40 anos, os presidentes eleitos foram figuras de referência dos dois maiores partidos fundadores da democracia — aquilo a que chamamos senadores — e chegaram a Belém como corolário de carreiras políticas longas e diversas. Essa hegemonia do PS e do PSD acabou. Os candidatos apoiados pelos dois partidos não conseguiram em conjunto mais do que 43% dos votos. O eleitorado da AD nas legislativas do ano passado foi fatiado por quatro candidaturas. A intromissão de um candidato outsider aos partidos foi relativamente fácil e teve alguma eficácia. E os novos partidos da direita mostraram que podem ser mais competitivos do que o clássico PSD. A mudança que começou nos partidos e nas legislativas instalou-se também nas presidenciais, provavelmente sem retorno. O PS e o PSD têm que fazer mais pela vida.

O mito da importância das televisões é manifestamente exagerado — Ficou famosa uma frase de Emídio Rangel sobre a capacidade das televisões venderem presidentes como quem vende sabonetes. Depois, a facilidade com que Marcelo Rebelo de Sousa transformou o seu lugar de comentador nas noites de domingo no de Presidente da República deu a prova que faltava à teoria. Afinal não é bem assim. Marques Mendes teve uma derrota pesada, apesar de mais de uma década num posto televisivo semelhante ao de Marcelo. Não é a televisão. Ou melhor, não é apenas a televisão. É o carisma, a campanha eleitoral, a mensagem política, a conjuntura política do........

© Observador