menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A violência não é o preço de trabalhar no SNS

10 0
latest

Há uma fronteira que uma sociedade civilizada não pode aceitar que seja ultrapassada: a violência contra quem está a trabalhar para cuidar dos outros.

Ser insultado, ameaçado ou agredido não faz parte do trabalho de quem cuida dos outros.

Uma sociedade que aceita a violência contra os profissionais de saúde está a destruir, a instituição que tanto diz querer defender.

Em 2025 foram comunicados no Serviço Nacional de Saúde 3.429 episódios de violência contra profissionais, mais 33% do que no ano anterior. 2.067 casos de violência psicológica e 730 de violência física. Houve ainda 318 situações de assédio moral e no total, estas ocorrências provocaram 2.012 dias de ausência ao trabalho.

São números demasiado elevados para continuarmos a tratá-los como episódios isolados.

E não, não é só mais um número, cada número tem um rosto. São profissionais que, no final do turno, levam para casa uma agressão verbal, uma ameaça, um empurrão, uma bofetada, um medo ou uma humilhação.

É um rosto que passa a vivenciar o medo no local de trabalho com todas as consequências negativas a ele associado;

O medo de entrar num serviço de urgência.

O medo de não saber como vai reagir um familiar a uma notícia difícil.

O medo de dizer que não há uma vaga.

O medo de dizer que a cirurgia não será feita amanhã ou que aquele doente precisa de esperar porque há outro numa situação ainda mais urgente.

É o medo de exercer uma profissão para a qual se preparou durante anos e que, de repente, também parece exigir competências de segurança pessoal.

Um profissional humilhado perde confiança

Mas ainda há o que as estatísticas........

© Observador