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Este não é o meu Deus

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10.04.2026

Em 1950, um conjunto de católicos protestou contra uma representação de Cristo na Cruz desenvolvida por Germaine Richier para a Igreja de Plateau d’Assy. A imagem desfigurada, “sem rosto humano agradável”, impercetível, contrastava com a figura de olhos claros, face polida e barba rigorosamente aparada que circulava de forma regular. E embora André Malraux tenha dito que o Cristo de Richier era o único Cristo diante do qual qualquer pessoa pode rezar, isso não impediu que um movimento mais zeloso publicasse um panfleto onde dizia: “on ne se moque pas de dieu”, “ce n’est pas mon dieu”. (Não se escarnece de Deus. Este não é o meu Deus). No entanto, mesmo não concordando com a avaliação estética destes grupos, talvez seja justo começar a aplicar essa perspetiva a outras dimensões.

Na segunda-feira passada, o “departamento de guerra” dos Estados Unidos organizou uma conferência de imprensa onde prestaram declarações Donald Trump e Pete Hegseth. Trump conjugou, o certamente inédito conjunto de frases, “Boa Páscoa. Esta foi uma das nossas melhores Páscoas. Ao nível militar, foi uma das melhores”, para acrescentar, logo a seguir que, “Deus estava a observar-nos. Bom,........

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