Culpa e Nostalgia
Depois de Tolstói ter escrito Guerra e Paz, de Dostoiévsk Crime e Castigo e de Isaiah Berlin O Ouriço e a Raposa, qualquer título que junte dois substantivos corre o risco de parecer um mero exercício de falta de originalidade. Contudo, se olharmos com frieza para as dinâmicas que movem — ou melhor, que travam — o nosso tempo, perceberemos que o mundo ocidental é hoje largamente governado por dois sentimentos tão profundos quanto paralisantes: a culpa e a nostalgia. Ambos são, no fundo, o sintoma trágico de uma sociedade incapaz de decidir o seu futuro.
Comecemos pela nostalgia, que introduziu uma alteração radical na nossa bússola temporal. Durante séculos, a modernidade habituou-nos a olhar em frente. O futuro era o território natural da esperança, o lugar onde a promessa de felicidade seria, por fim, concretizada. Acreditávamos no progresso como uma força irresistível, um vento da História que nos empurrava para um amanhã invariavelmente melhor. Hoje,........
