Galileu e a Inquisição: a lenda e a realidade
Qualquer ex-aluno do ensino oficial obrigatório que tenha concluído os estudos com bom aproveitamento, ‘sabe’ que, na Idade Média, Galileu Galilei, por ter afirmado que a Terra gira à volta do Sol, foi torturado e morto na fogueira pela Inquisição.
O dogma laico da medieval morte de Galileu na fogueira da Inquisição tem muito que se lhe diga e muito pouco, ou nada, de verdade. Em primeiro lugar, Galileu nasceu em 1564 e faleceu em 1642 e, portanto, em plena Idade Moderna. Depois, a sua defesa da tese heliocêntrica não foi nenhuma novidade, pois cem anos antes já Copérnico (1473-1543), que era um cónego católico, tinha formulado essa hipótese. Por último, Galileu, embora condenado pela Inquisição, não foi torturado, nem morreu na fogueira, mas em sua casa, como um católico devoto, que foi até à morte.
Por sinal, Copérnico não é a excepção à regra, mas mais um dos muitos sacerdotes que foram grandes cientistas, como o franciscano Roger Bacon (1214-1294), precursor do método científico, baseado na observação e na experimentação; ou o padre astrónomo belga George Lemaitre (1894-1966), físico e pai da teoria do Big Bang, que é hoje universalmente admitida como a mais provável explicação científica do universo, e que obrigou Albert Einstein a corrigir a sua teoria da relatividade.
É verdade que Galileu foi julgado e condenado pela Inquisição, porque então a Igreja era a máxima autoridade religiosa e científica mundial, e exercia uma jurisdição política internacional. Por isso, a Santa Sé pronunciou-se sobre o heliocentrismo e determinou o meridiano que dividia os impérios ultramarinos de Portugal e Castela.
No entanto, em 1981, São João Paulo II nomeou uma........
