A Boa Nova e as Fake News
O Evangelho é, literalmente, a boa nova da nossa salvação. A redenção é, em primeiro lugar, um facto, um acontecimento histórico em virtude do qual se possibilitou ao ser humano a remissão dos seus pecados, nomeadamente o original, mancha que a toda a descendência do primeiro casal humano afectou, com a singular excepção de Maria e do seu divino filho, Jesus. A salvação que, em termos negativos, significa a remissão do pecado e da pena por ele devida, positivamente expressa a participação “da natureza divina” (2Pd 1, 4).
Se, em termos reais, a redenção é um facto histórico que, pela sua própria virtude, redime e santifica, ou seja, opera a salvação, em termos informativos a redenção é uma notícia, a boa nova. O Evangelho anuncia o desígnio divino de restaurar a natureza humana decaída, elevando-a mais além do que fôra o seu estado primitivo. Essa restauração e sublimação da condição humana não se realiza de forma universal e automática, o que violaria a liberdade e dignidade humanas, mas pela consciente e livre participação de cada pessoa no mistério da salvação. Por isso, como dizia Santo Agostinho, “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.
O ser humano não se pode salvar a si próprio, como o doente também não se cura a si mesmo, mas pode impedir que esse propósito divino seja eficaz na sua vida. Por isso, o homem, que não é capaz da sua salvação, é, contudo, responsável pela sua eterna condenação, porque a mesma só pode acontecer quando é consciente e livremente rejeitada a vontade “de Deus nosso Salvador, o qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao........© Observador
