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Quando as armas se calarem: a Ucrânia após a guerra

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13.08.2026

No verão de 2026, as hipóteses de um cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia parecem tão remotas como sempre. Moscovo continua a não estar disposta a contentar-se com menos do que, pelo menos, uma vitória parcial, mas carece da força militar necessária para a impor. Um «equilíbrio da morte» instalou-se nas linhas da frente, caracterizado por enxames de drones, desgaste e ganhos territoriais graduais. Por exemplo, a 13 e 14 de maio de 2026, a Rússia lançou mais de 1 400 drones, mísseis e iscos contra a Ucrânia — o maior ataque aéreo da guerra até então. A guerra, e não a paz, continua a ser o cenário mais provável.

No entanto, a história raramente termina como esperado. A Europa não se pode dar ao luxo de estar despreparada para as consequências de um cessar-fogo repentino. Caso os combates cessem, a Ucrânia não enfrentaria um simples período de recuperação, mas sim o início de uma nova luta multidimensional — uma luta que testaria simultaneamente a sua segurança, economia, instituições, demografia e coesão política. Conquistar a paz, especialmente no âmbito de um acordo de cessar-fogo imperfeito, será tão exigente quanto sobreviver à guerra.

O primeiro e mais importante desafio continua a ser o estabelecimento e a sustentabilidade da segurança. Por si só, um cessar-fogo não significaria uma mudança nos objetivos estratégicos do Kremlin. Sem uma transformação fundamental do regime russo, Moscovo interpretaria um cessar-fogo não como um ponto final, mas como uma mera pausa — um interregno na longa campanha imperial da Rússia. A redução da atividade no campo de batalha seria provavelmente acompanhada por uma intensificação da guerra híbrida por parte do Kremlin: ciberataques, desinformação, sabotagem industrial e subversão política destinadas a minar o Estado ucraniano a partir de dentro.

Um tratado de paz a longo prazo coloca os seus próprios desafios. Com efeito, a estabilidade de uma ordem pós-guerra depende menos da formulação jurídica de um acordo do que do equilíbrio de poder que este deixa para trás. A pressão sobre Kiev para desmilitarizar áreas fortificadas no leste da Ucrânia seria particularmente perigosa, uma vez que tal exigência abriria caminho para incursões russas mais profundas e aumentaria os incentivos para que Moscovo eventualmente retomasse a guerra com o objetivo de conquistar ainda mais território. Por esta razão, as promessas de segurança ocidentais só teriam significado se fossem apoiadas por capacidades concretas.

Dada a postura oscilante de Washington em relação à Ucrânia desde 2025, a responsabilidade principal pela aplicação de um cessar-fogo ou das disposições de um tratado de paz recairá provavelmente sobre a Europa. Mesmo após a cessação dos combates, a ajuda militar e a cooperação em matéria de defesa teriam de continuar quase na mesma medida que durante o período de guerra. O meio de dissuasão mais eficaz não residirá em declarações, mas em medidas práticas implementadas rapidamente, tais como a integração da defesa........

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