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Um A. Ventura no orfanato da política

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19.05.2026

O sr. de Villefort, delegado do procurador régio que mandou encarcerar Edmond Dantès em Chateau d’If, dizia que Robespierre fez a igualdade que rebaixa e Napoleão a igualdade que eleva, o primeiro trazendo os reis à guilhotina e o segundo elevando o povo ao trono. O pensamento não vem do melhor dos homens que compõem o romance de Alexandre Dumas, mas não deixa de ser acertada a ideia de recusar ambas as perspectivas. A síntese, porém, tem feito escola ao longo de décadas e talvez seja hoje o centro do debate político ocidental, esta ideia anti-elitista e populista que é, em bom rigor, praticada e comungada por todos os sectores do espectro político, da esquerda à direita, dos alegadamente moderados aos afirmativamente radicais. Não deixa de ser uma mentira.

Entre nós, e porque a esquerda parece já, e por agora, incapaz de conduzir os reis à guilhotina, temos tido o prazer de ir observando em André Ventura o embuste da elevação do povo ao trono. Não há ideia alguma que, tendo o potencial de ser encarada como popular, não acabe por ele veiculada, por mais errada que seja, por mais mentirosa que soe, por mais que se besunte de contradições com outras ideias anteriormente apresentadas. O pai do delegado do procurador régio, o Sr. Noirtier de Villefort, bonapartista profundo, tinha, por seu turno, um........

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