São os políticos ou somos nós?
Há tempos, em conversa com um grupo de amigos, perguntávamo-nos o que raio sucederia a um político que, por alguma razão inexplicável, decidisse tratar os portugueses como adultos responsáveis e livres. E se alguém se submetesse a eleições com um plano de mudanças estruturais, de fortalecimento da sociedade? A conclusão foi unânime: não duraria mais do que um mandato, se o conseguisse concluir, e se chegasse sequer a ganhar a eleição.
Há uma explicação sempre dada para os problemas nacionais: não temos bons governantes. Não discordo da ideia, confesso. Mas essa também é a resposta mais confortável de todas vinda de uma sociedade que não se sente responsável por nada. Mas que incentivos pode ter alguém que decide colocar-se ao dispor do escrutínio público e mediático pugnando por um Estado eficaz e uma sociedade dona do seu próprio destino? O país tem 3,5 milhões de reformados e pensionistas; perto de um milhão de funcionários públicos; mais de um milhão e meio de menores, sem direito de voto; mais de três centenas de milhar de desempregados; uma economia que vive sob a mão poderosa do Estado, dos seus procedimentos e da sua inércia. Quem em Portugal tem efectivo interesse em alterar seja o que for?
Durante décadas, entre regimes........
