Isto vem tudo no Huxley
No tempo em que as crianças jogavam à bola na rua, por entre lancis, passeios, pedras da calçada levantadas, alcatrão, automóveis, camiões, portões de garagem amolgados pela força dos petardos lançados com bolas esfarrapadas pelo asfalto ou balizas feitas com calhaus, medidas com passos, havia uma série de regras altamente falíveis que eram seguidas à risca. Uma delas era a da validade dos golos quando as bolas iam altas. Levantava-se uma grande discussão sobre se o guarda-redes lá chegaria em teoria, simulando-se uma trave horizontal erguida à medida não de uma medida regulamentar, mas da altura de quem jogava à baliza – daí que, quanto mais pequeno o guarda-redes, melhor, porque se reduzia automaticamente a altura da baliza (sendo que pequeno e gordo seria a medida perfeita do guarda-redes, que acaba por transformar a baliza de pedras numa barreira intransponível). As discussões levantavam-se, não raras vezes acabavam à pancada, num processo de libertação hormonal e manifestação de força saudável, que fazia, a curto prazo, mais forte quem batia e, a longo prazo, quem levava.
Lembrei-me disto numa destas madrugadas, enquanto a selecção portuguesa de futebol era massacrada pelos colombianos neste evento de publicidade a que chamam Mundial de Futebol, quando um golo........
